E se parasse de tentar sempre ser?
Talvez pudesse parar pra sempre.
Poderia sempre sentir melhor.
Sempre posso.
Posso ir devagar
Sorrir devagar
Num divagar despreocupado
Sobre meu ritmo descompassado
De rimar incessante
O meu limbo engraçado
Meu nariz de palhaço
E meu fundo rasgado
Meu olho embaçado
O meu ombro caído
Meu parvo ruído
E se não me importasse de perder o brilho que não tenho?
Talvez seja essa a minha luz
Essa luz fosca de meus olhos
Interruptor de meus brilhos
Ou a fossa das minhas taras
Da minha chama brilhosa interrompida
Do meu ser ameixa descascada
Ou maquiagem descarada.
Talvez esse seja o jeito em mim.
De me localizar, enfim
De me focalizar pra mim
Em meio ofuscado
Meio confuso
Meio traçado
Talvez seja esse o meu fuso.
Seja esse o meu transe
E que seja o meu elance!
Esse de errar no esboço
Acertando na chance.



